Aconteceu dia 16, em Londres. Enquanto as principais bolsas de valores fechavam em uma espantosa queda, na principal sala da Sotheby’s o que se via era justamente o oposto. Boquiabertos, os presentes viram encerar um leilão recorde, fechado em 140 milhões de euros.
As obras leiloadas eram de Damien Hirst, artista que dominou o cenário britânico nos anos 90 e que tem como tema central em seus trabalhos a morte. Ligado à arte informal, à action paiting e à pop-art, Hirst produziu uma série de animais embalsamados em formaldeido (um tipo de resina), alguns deles dissecados, que o tornaram mundialmente famoso. A peça de maior preço nesse leilão, vendida por 13 milhões de euros, foi justamente um touro conservado em resina, que tem sobre a cabeça um disco de ouro 18 quilates maciço , com os chifres e os cascos no mesmo material. Um obra que remete a Baal , antigo deus mesopotâmico, e para o qual os hebreus do Velho Testamento, desencantados com a longa espera por Moisés, haviam feito uma estátua de ouro e abandonado-se ao culto pagão. Adivinhe o que a escultura representava ? Um touro com um disco sobre a testa.
Além de “The Golden Calf”, outros duzentos itens foram vendidos no leilão, entre esculturas e quadros. Uma outra peça de grande sucesso foi ” The Kingdom”, um tubarão-tigre também em formaldeido, “flutuando” na resina azul com a boca escancarada.
Hirst com certeza é provocativo e contestador, além de famoso por um grande tino para os negòcios. Seus animais, embora embalsamados, estão fadados a se decomporem, já que o formadeildo não impede, mas apenas retarda o processo de decomposição. Uma metáfora do artista que insiste em nos lembrar da inexorabilidade da morte, mas que vai engordando a sua conta bancária enquanto ela não chega …
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